O dia 22 de setembro será uma data difícil de esquecer para Rubens Gomez Ramos, um administrador de 39 anos, morador de Ponta Porã, uma cidade distante 300 km de Campo Grande. Naquele domingo, ao participar da Corrida do Pantanal, ele ganhou um Fiat Mobi zero quilômetro, prêmio que quase escapou de suas mãos mais de uma vez.
A história começa no sábado, 21 de setembro, às 13h. Rubens ainda estava em sua casa, sem planos de se deslocar até Campo Grande para participar da corrida. Ele havia se inscrito, é verdade, mas a ideia de atravessar a fronteira e dirigir por horas em direção à capital não o atraía muito. O trânsito das longas estradas, a rotina de trabalho e o cansaço típico de quem vive a vida entre fronteiras já o tinham feito decidir por ficar.
Foi aí que a família entrou em cena, mais precisamente seu irmão mais velho e sua mãe, que insistiram incansavelmente para que ele fosse. Não fosse por essa pressão familiar, Rubens teria perdido a oportunidade. “Meu irmão mais velho foi o principal responsável. Ele fez a inscrição de toda a família na corrida. Ele e minha mãe insistiram para eu vir. Eu decidi ontem que viria”, relembra ele, ainda tentando acreditar na sequência de eventos que o levaram ao prêmio.
No final da tarde de sábado, Rubens cedeu e pegou a estrada. Chegou à capital por volta das 19h, exausto, mas ciente de que o domingo lhe reservaria uma oportunidade de passar um tempo com a família e praticar uma atividade física. Contudo, nem mesmo ele imaginava que o destino lhe guardava algo muito maior do que uma corrida de 10 km.
Uma das participantes da Corrida do Pantanal posa sorridente com a bicicleta que ganhou no sorteio. A premiação foi um incentivo extra para os competidores, que celebraram o esporte em família.
O destino em três tentativas - A Corrida do Pantanal, realizada anualmente em Campo Grande, é um evento que reúne tanto corredores experientes quanto amadores. Mais do que uma competição, é uma festa para promover a saúde e o bem-estar. Pessoas de diferentes idades, histórias e formações se encontram nas ruas da cidade, unidas pela mesma vontade de cruzar a linha de chegada. Para além da corrida em si, há algo mais que atrai a atenção dos participantes: o sorteio de prêmios, sempre um momento de tensão e expectativa.
Naquele domingo, após as corridas de 5 km e 10 km, os organizadores começaram o aguardado sorteio. O prêmio mais cobiçado era, sem dúvidas, o Fiat Mobi zero quilômetro. Ao ouvir o primeiro número sorteado, ninguém apareceu para reivindicar o prêmio. O segundo número também não trouxe o vencedor ao palco. Foi apenas na terceira tentativa que o nome de Rubens Gomez Ramos finalmente ecoou no sistema de som.
O detalhe curioso é que Rubens já estava indo embora. Talvez por resignação ou por acreditar que a sorte não lhe sorriria, ele havia começado a deixar o evento. Mas o destino, como tantas vezes acontece, tinha outros planos. O administrador, meio atônito, retornou ao palco para reivindicar o prêmio que, por pouco, não escorregou pelas mãos.
Rubens Gomez Ramos (centro), vencedor do sorteio do carro, comemora ao lado dos organizadores da Corrida do Pantanal, realizada em Campo Grande. O administrador de Ponta Porã quase deixou o evento sem saber que ganharia o Fiat Mobi zero quilômetro.
A sorte das bicicletas e os reencontros familiares - Mas Rubens não foi o único a experimentar a sorte naquela manhã. Entre os outros prêmios distribuídos, 10 bicicletas encontraram novos donos. Arthur Rocha de Oliveira, um jovem de 14 anos, também saiu do evento com um sorriso no rosto. Atleta de futebol, Arthur havia se inscrito para a caminhada de 5 km e não esperava nada além de um bom momento em família. "Justamente agora eu acabei de vender a minha bicicleta, porque já estava muito pequena para o meu tamanho. Eu vim ao evento para passar um momento com a minha família, não esperava ganhar", confessou o jovem.
O sentimento de surpresa foi compartilhado por Suzelene da Silva Rodrigues, uma dona de casa que, também por insistência do marido, decidiu participar da Corrida do Pantanal. Para ela, a sorte veio em forma de incentivo para cuidar da saúde. "Quem fez a minha inscrição foi o meu marido. Estou com problema na coluna, por isso estou retomando o esporte aos poucos. Ele insistiu para eu vir e acabei saindo daqui com uma bicicleta. É mais um incentivo para continuar", contou, satisfeita com o desfecho inesperado.
Mais que uma corrida, uma celebração - A Corrida do Pantanal já é uma tradição em Campo Grande, atraindo corredores e suas famílias, seja para competir, caminhar ou apenas aproveitar o clima festivo. É um evento que vai além do esporte. Ele conecta pessoas, muitas vezes desconhecidas, em torno de uma experiência comum: a superação de limites, sejam físicos ou emocionais. Para alguns, como Rubens, Arthur e Suzelene, o evento representou um dia de sorte, daqueles que se transformam em histórias repetidas por muito tempo à mesa do jantar.
Rubens, agora de volta a Ponta Porã, não deixa de refletir sobre a estranha sequência de coincidências que o levou a ganhar um carro. Entre uma risada e outra, ele admite que o prêmio talvez nunca tivesse chegado às suas mãos se não fosse pela insistência da família. Aquele domingo, que poderia ser apenas mais um dia comum, acabou marcado por um Fiat Mobi novinho em folha. Como diz o ditado, a sorte sorri para quem insiste — ou, no caso de Rubens, para quem é convencido pela mãe a fazer uma viagem de última hora.